Quem Somos

A HISTÓRIA DA
ASSIBGE – PASSO A PASSO
A origem da ASSIBGE,
remonta ao ano de 1984, quando nascia no Rio de
Janeiro um movimento chamando “Revirada”, que
encampou o grêmio de servidores do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
até então de natureza cultural e recreativa, mas
que logo se transformou em uma entidade
combativa e com remificações em todo Brasil.
Naquele momento,
havia em todo o País um grande clamor da
sociedade por mudanças sociais, pela
redemocratização e pela libertação política,
após anos de ditadura militar. Foi um momento em
que diversas categorias de trabalhadores ousaram
sair às ruas para reivindicar os seus direitos.
Esse clamor por uma
entidade politizada e à frente de seu tempo se
fazia presente também entre os trabalhadores do
IBGE e o grêmio logo se transformou na
Associação dos Servidores do IBGE, que foi
embrião do que é hoje a ASSIBGE.
Rapidamente, a
categoria começou a se organizar em todos o
território brasileiro, inclusive em Minas
Gerais, que teve participação decisiva no
processo. O começo foi árduo. Passamos por
tempos difíceis. As reuniões aconteciam quase
que de forma clandestina, fora das dependências
do Instituto, por causa da forte repressão
exercida pela administração.
DÉCADAS DE
DESAFIOS
Foram vários também
os encontros em Brasília para discutir as
demandas dos trabalhadores do Instituto. Com a
categoria já bastante mobilizada, em junho de
1985, constituímos a primeira comissão
provisória da ASSIBGE.
Assim, ao longo da
história, experimentamos vários caminhos e
enfrentamos diversos desafios. Mas, fomos e
somos fortes, hoje quase 14 mil em todo o
Brasil, entre trabalhadores da ativa e
aposentados, sendo cerca de 400 ativos só em
Minas.
Viagens foram
realizadas pelo Brasil inteiro para a
constituição das comissões provisórias nos
estados, visando assegurar a continuidade e o
fortalecimento do movimento, em nível nacional.
Em 1985, um plebiscito em Minas Gerais
estabelecia o modelo de organização – se de
âmbito regional ou nacional. A organização
federal foi a vencedora.
Em Minas, buscamos
também nos organizar para participar desse
movimento de afirmação. Não existia, naquela
época, espaço para discutir questões que nos
eram próprias como trabalhadores com a
administração. Tínhamos uma administração
centralizadora: era o modelo da época. As
dificuldades, no entanto, foram superadas
rapidamente.
A FORÇA DE MINAS
Desde o início, a
força de Minas Gerais se mostrava evidente. O
primeiro Congresso Nacional aconteceu em
novembro de 86, em Caeté (MG), quando foi
constituída a primeira comissão eleita, alem de
aprovado o Estatuo. Demos um salto de qualidade.
Assumimos a partir
de 1986 o controle das demandas de natureza
trabalhista. Passamos a negociar diretamente
como governo na condição de representantes leais
dos interesses dos trabalhadores. Os acordos até
então eram muito tímidos. Foi realizada a
primeira assembléia formal para definir a pauta
e a comissão que iria negociar o acordo. Eram
negociações exaustivas. Fizemos cerca de 60
ocupações diferentes dentro do IBGE.
O segundo Congresso
Nacional aconteceu em 1987, em Embu Guaçu (SP).
Surgia ali a discussão sobre como nos organizar
enquanto sindicato. Outro ponto importante que
dominou os debates foi a adequação da curva
salarial dos trabalhadores do IBGE à realidade
praticada no mercado.
Já naquela época
defendíamos temas ainda em voga nos dias atuais,
como a reforma agrária, a dívida externa, a
proteção contra a demissão imotivada. Em 1987, a
ASSIBGE filiou-se à Central Única dos
Trabalhadores (CUT), entidade recém-formada,
fruto também do movimento de abertura da
sociedade. Discursos duros, greves longas,
vitórias e derrotas, demissões e reintegrações.
Tudo isso fez parte da história da ASSIBGE.
A terceira edição do
Congresso foi em ‘988, no Rio de Janeiro (RJ).
Nossas divergências políticas já estavam
explicitadas. As entidades sindicais eram
instrumento dos partidos. No início de 1989, um
dissídio coletivo e... nova greve, declarada
ilegal pelo governo Sarney, forçando acordo
desvantajoso.
Entre os principais
avanços da categoria nos anos 90 estão ingresso
dos servidores públicos no regime jurídico único
da União. Em dezembro de 90, passamos da
condição de celetistas para estatutários.
Aposentadorias integrais e estabilidade na
carreira foram alguns dos principais
benefícios.
No V Congresso,
realizado em Ibirité (MG), em 1990, ocorreu o
racha político da categoria, com a minoria
abandonando-a para aparelhar o SINPEG, sindicato
de gaveta que servia apenas para formalizar o
dissídio. 1991 foi marcado pela tentativa de
reunificação, com a disputa nos fóruns de
servidores, culminando com o acordo feito com a
intermediação da CUT, que gerou o plebiscito e a
unificação das entidade e a criação da ASSIBGE –
Sindicato Nacional – alem da primeira eleição
direta para Executiva Nacional, em 1993.
No governo Collor,
centenas de trabalhadores são colocados em
disponibilidade.
Uma conquista
durante o governo Itamar, em 1992, foi entrar
para o Fórum de Ciência e Tecnologia.
Vislumbrávamos uma carreira mais valorizada e
com perspectivas de crescimento. Os anos se
passaram e, mesmo como todos os avanços, ainda
estamos com baixa representação no Fórum. Por
isso, é hora de rever e apontar propostas para
um novo plano de carreira. Também precisamos
reorganizar os subnúcleos no interior do Estado
e conclamar os aposentados a participarem de
forma mais efetiva de nossas lutas.
Em 94, havia uma
pauta de interesse de todo o funcionalismo, que
era estabelecer, de fato, a isonomia de
tratamento remuneratório para os servidores da
União. Foi constituído um grupo de trabalho com
a então Secretaria de Administração, coordenada
pela ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina. O
funcionamento tinha boas respectivas de
conseguir melhores salários. A proposta era
unificar as tabelas salariais por cima,
estabelecendo uma isonomia de tratamento entre
os três Poderes – Legislativo, Executivo e
Judiciário. Com o final do governo Itamar
Franco, esse projeto foi abandonado.
Durante os oito anos
de gestão Fernando Henrique Cardoso, sofremos
uma derrota. Quebrou-se essa possibilidade de
isonomia. A questão foi retirada da
Constituição, o Estatuto dos Servidores – Lei
8.112 – teve uma série de cortes, sendo
suprimidos direitos históricos dos servidores
públicos. A estabilidade, por exemplo, foi
flexibilizada, o adicional por tempo de serviço
foi extinto, assim como as férias-prêmio. Além
disso, foram alteradas as regras da
aposentadoria.
As lutas pela
organização sindical, as paralisações por
melhores condições de trabalho e salários
dignos, a participação nos momentos decisivos
dos país, oposições aos governos... Tudo isso
valeu a pena nesses 20 anos de vida. |